04 de setembro de 2010
Folga para a expansão

Com mais capacidade para emprestar, depois da capitalização, instituição dará novo salto na oferta de crédito

 

POR JAIME MATOS
 
Tem 26,5% dos depósitos totais dos bancos brasileiros – sobressaindo-se nos depósitos à vista, dos quais fica com 32,8% –, é responsável pela concessão de um quinto de todo o crédito no País e controla um terço das transações de comércio exterior. Serve uma clientela de 53,5 milhões de pessoas – 35,2 milhões de correntistas mais poupadores e beneficiários do INSS que recebem pelo banco suas aposentadorias. Para fazer essa máquina girar, conta com 122,3 mil funcionários – pouco mais que um quinto (21,3%) de todo o pessoal que presta serviço nas instituições do Sistema Financeiro Nacional.
 
Mesmo acostumado a carregar números formidáveis como estes, que tornaram sua marca uma das mais respeitadas do mundo e, por isso, uma das mais valiosas, o Banco do Brasil (BB) festejou com entusiasmo de novatos, no último dia 2, o início da negociação das novas ações. A operação, que botou R$ 9,76 bilhões nos cofres do BB, teve, realmente, certo sabor de IPO (oferta inicial), já que é a segunda em volume registrada na BM&FBovespa. Perde apenas para a do Santander (R$ 13,18 bilhões) e fica à frente à da Cielo (antiga VisaNet, R$ 8,39 bilhões) – ambas realizadas no ano passado e, estas sim, IPOs.
 
Parte do resultado, pouco mais de R$ 7 bilhões captados com a venda de 286 milhões de ações ordinárias em oferta primária, servirá para engordar o patrimônio, permitindo que aumente a oferta de crédito. O Índice de Basileia – a relação entre o patrimônio líquido da instituição e o montante do dinheiro que empresta – era de 13,7% no final de março de 2010 e estava chegando perto dos 11% exigidos pelo Banco Central. Isso significa que até então a carteira de crédito poderia crescer R$ 111,6 bilhões para chegar ao limite. Agora, o Índice de Basileia irá a 15,3%.
 
Acessoriamente, mas não menos importante, o BB vai se enquadrar definitivamente às regras do Novo Mercado – o segmento de elite da Bolsa, ao qual aderira em junho de 2006. É exigido que as empresas ali listadas tenham 25% do capital em circulação (free-float). O BB tinha 21,8% (veja no gráfico “Mando da União” a posição até 31 de março passado), e agora a relação subirá para 32%, isto é, além do que determinam aquelas regras. A parcela da União diminuirá dos atuais 65,5% para 59%, sem incluir os cerca de 2% que ficarão com o Fundo Soberano Brasileiro. No conjunto, o novo lançamento incluiu, além da oferta primária, uma secundária – esta de 70,8 milhões de ações, no valor R$ 964 milhões, vendidas pelo BNDESPar, Fundo de Garantia à Exportação e Fundo Garantido PPP, ambos governamentais –, mais um lote extra, também secundário, de 39,1 milhões de ações, registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
 
Força à pessoa física
A folga adquirida via ampliação do Índice de Basileia fornece oxigênio para que o BB dê outro salto na expansão de crédito, seu objetivo prioritário. A força dessa disposição já fora mostrada em setembro de 2008, no ponto mais crítico da crise internacional, marcado pela quebra do banco americano Lehman Brothers. Quando todos os bancos fecharam de vez as torneiras que até então apenas pingavam, o BB abriu seus cofres: nos três meses seguintes, isto é, até dezembro, a carteira de crédito aumentou 10,9%; na comparação ano a ano, no final de 2009, a carteira de crédito evoluíra 33,8%. Este resultado foi fortemente vitaminado no ano passado, com a incorporação dos números da Nossa Caixa (a partir do primeiro trimestre) e do Banco Votorantim (a partir do terceiro), que agregaram R$ 40,2 bilhões nos segmentos pessoa física e pessoa jurídica.
 
Em resposta à alegação de que o banco só agira assim por ter recebido ordem do governo, o diretor de distribuição de São Paulo, Dan Conrado, responde que havia razões de mercado para justificar a iniciativa. “O BB, além de cuidar da folha de pagamento de cerca de 5 milhões de funcionários públicos das três esferas – municipal, estadual e federal –, tem a tarefa de pagar os salários de dezenas de milhares de empresas privadas. Durante a crise, quando olhávamos para as folhas de pagamento, não percebíamos nenhuma redução da massa salarial”, contou, em recente entrevista ao programa Panorama do Brasil. “Outro dado importante observado no período foi que a inadimplência não aumentava.”
 
Antes da crise internacional, a política de crédito do BB já vinha acompanhando visivelmente a tendência de expansão do consumo no País. No período 2006/2010, o crédito à pessoa física aumentou 296,3%; à pessoa jurídica, 146,7%; e ao agronegócio, 43,9%. Na composição da carteira, o segmento que permanece na liderança é o das pessoas jurídicas, com 42% do total. Ganhou espaço: há cinco anos ficava com 39%. Mas não avançou tanto quanto o das pessoas físicas, que hoje tem 31% do crédito, em comparação a 18% de 2006. A área de agronegócios – no passado uma das prioridades no BB – encolheu substancialmente a participação, de 34% para atuais 21%. Os empréstimos no exterior variaram menos, de 9% para 6%.
 
Olhando o balanço do primeiro trimestre, as pessoas físicas permanecem como prioridade. O crédito para elas aumentou nada menos de 55,5% de março de 2009 para março de 2010 – mais uma vez, puxado pelo consignado, que saltou 69,3%. Nos competidores mais próximos, Itaú Unibanco e Bradesco, a rubrica cresceu 17,3% e 16,7%, respectivamente. No nicho das pessoas jurídicas (grandes empresas), o BB também fica na dianteira, com acréscimo de 28,7%, enquanto o Bradesco avançou 1,7% e o Itaú Unibanco retrocedeu, com -13,9%. No crédito às pequenas e médias empresas, a carteira do Itaú Unibanco subiu mais 24,7%, ante 20,9% do BB e 14,5% do Bradesco.
 
 
Peso do consignado
A mola mestra da arrancada na carteira de crédito pessoal é o crédito consignado, segmento no qual o BB é líder, com um estoque de R$ 31,2 bilhões, cerca de 30% do mercado. A rubrica é a mais destacada entre todas as de crédito: de dezembro de 2006 a março deste ano, o estoque em carteira subiu 277%, acima do crédito pessoal como um todo, que saltou 229,5%. Na soma de todo o crédito concedido a pessoas físicas – R$ 95,1 bilhões até março –, o consignado mostra sua força, pois representa 65%. No ano passado, era exatamente metade daquela rubrica e em 2006, 23%. Ampliada a comparação, agora com toda a carteira de crédito do BB – R$ 305,5 bilhões –, os empréstimos com desconto em folha chegavam a 11% em março passado. Essa participação era de 7% em 2006 e ficou em 8% nos três anos seguintes.
 
Agora, no entanto, começam a aparecer alguns obstáculos ao domínio do BB no segmento. No dia 22 do mês passado, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça enviou denúncia ao Banco Central e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando o banco de monopólio na concessão do crédito consignado a servidores públicos. A denúncia foi proposta pela Federação dos Servidores Públicos Municipais e Estaduais do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins (Fesempre).
 
A SDE passou o caso para a frente, alegando impedimento para atuar no caso. Os órgãos antitruste do governo estão impedidos de investigar operações do setor financeiro – competência exclusiva do Banco Central – por parecer da Advocacia Geral da União (AGU) de abril de 2001, conforme explicou, em despacho, a secretária da SDE, Mariana Tavares.
 
Avanço paulista
Para a nova arrancada na oferta de crédito que tem anunciado, o BB se apoia basicamente no desenvolvimento dos negócios em São Paulo.
 
 
Em dezembro do ano passado, oito meses depois de assumir a presidência do banco, Aldemir Bendine deixou claro que a principal estratégia para o crescimento da instituição no plano interno seria uma atuação mais agressiva no estado. Para explicar diretamente aos futuros executores do plano, reuniu os 1,5 mil gerentes paulistas para pedir-lhes empenho nessa direção e para anunciar a criação de uma diretoria exclusivamente para o estado. Confiada a Dan Conrado, até então diretor de marketing e comunicação do BB, essa diretoria abriga seis superintendências, quatro regionais e duas setoriais: capital, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, setor público e infraestrutura.
 
A tarefa da nova diretoria é reverter o que Bendine chamou de “atuação deficiente” do BB no estado. Essa reversão significa aumentar a participação da praça paulista nos resultados gerais, de atuais 25% para 35%.
 
A arma principal para melhorar a posição obviamente é a utilização plena da estrutura da Nossa Caixa – comprada pelo BB em novembro de 2008 –, cuja integração ao banco deverá estar completa até outubro deste ano. A investida paulista custará investimentos de R$ 800 milhões até 2014, que serão aplicados na renovação do parque tecnológico e na abertura de novas agências. Apenas para este ano estão programadas 83 inaugurações, para as quais serão contratados 1.500 funcionários; ao fim do processo, o BB contará com uma rede de 1.334 agências no estado.
 
Para Luis Miguel Santacreu, analista da consultoria Austin Rating, o avanço no estado “faz todo o sentido” e o ganho de posição será conseguido desde que o esforço se concentre na rede da Nossa Caixa no interior do estado, onde há ainda espaço para crescimento. Nesse avanço, o maior desafio “não só para o BB, como para todos os bancos do Pais”, é ampliar o apoio às pequenas e médias empresas.
 
 
Marca valiosa
A evolução do BB de autoridade monetária para conglomerado financeiro comercial foi lenta. A primeira e mais marcante providência nesse sentido foi a Lei da Reforma Bancária, de dezembro de 1964, que criou o Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional, tirando do banco as funções de autoridade monetária. Mais de vinte anos depois, em 1986, seria extinta a Conta Movimento – com a qual o BC alimentava o BB de recursos especialmente para financiar programas de interesse do governo. O fechamento dessa torneira foi compensado com a autorização ao banco de ir buscar dinheiro no mercado, atuando em todas as áreas permitidas às demais instituições financeiras. O BB criou então uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM), uma financeira, uma corretora de seguros, uma empresa de leasing e uma administradora de cartões de crédito.
 
Quinze anos mais tarde, em 2001, se tornou banco múltiplo e estabeleceu quatro pilares de atuação: atacado, varejo, governo e recursos de terceiros. Em 2008 o banco ganhou autonomia em terreno vital para a própria expansão, ao ser autorizado – via uma medida provisória – a comprar outras instituições financeiras. Até então, se limitava a incorporar bancos estaduais, como fez naquele ano com o do Piauí (BEP) e o de Santa Catarina (Besc). A resposta imediata foi a aquisição do banco Nossa Caixa, em novembro de 2008, por R$ 5,38 bilhões, com a qual ganhou 552 novas agências em todo o território paulista e subiu do quarto para o primeiro lugar entre os bancos com maior número de dependências no estado.
 
Menos de um ano depois, em setembro de 2009, fechava a compra de 49,99% do capital votante e 50% do capital total do Banco Votorantim, então o sétimo (atualmente é oitavo) no ranking dos maiores por ativos. Nesse casamento, o dote não foi formado por tamanho de rede – o Votorantim chegou com 19 agências –, mas por especialização: com a operação, o BB ganhou acesso ao financiamento de veículos, do qual ele e o parceiro têm participação de 18%.
 
 
 
As aquisições realizadas, as parcerias estratégicas celebradas – revelando ganho de cintura para entrar em áreas ainda não exploradas – e a consistência dos resultados, como o recordista lucro líquido de R$ 10,1 bilhões cravado em 2009, têm fortalecido visivelmente a marca do BB. Embora com critérios diferentes e que, por isso, mostram valores também diferentes, as três principais empresas que se dedicam a essa medição – Brand Finance, Brand Analytics e Interbrand – concordam que três bancos estão entre as quatro maiores marcas brasileiras (a companhia não bancária é a Petrobras). No ranking da Brand Finance, o BB é o terceiro colocado; nos das outras duas é o quarto. No prêmio Top of Mind, dedicado às marcas mais lembradas pelos consumidores brasileiros e organizado pelo Instituto Data Folha, tem sido o líder entre as instituições financeiras nos últimos 19 anos. No ranking internacional, levantado pela BrandFinance em parceria com The Banker – a mais prestigiada revista do setor financeiro do planeta –, o BB aparece na 35ª colocação; entre os brasileiros está atrás do Bradesco (12ª) e do Itaú (21ª).
 
 
 

 
Entreveros políticos
 
A escolha de Aldemir Bendine para a presidência, formalizada em abril do ano passado, foi cercada de certa desconfiança. O afastamento do predecessor dele, Antônio Francisco de Lima Neto, foi um tanto ruidoso, determinado pelo próprio presidente da República, insatisfeito com a lentidão do banco em abaixar o spread, a diferença entre a taxa de juros que as instituições financeiras pagam na captação do dinheiro e a que cobram dos clientes. A intervenção do Palácio do Planalto foi criticada como aparelhamento político do BB, pelo fato de Bendine ser apadrinhado pelo chefe do Gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, embora tenha negado o tempo todo ter qualquer vínculo com o PT.
 
Houve reações negativas à indicação também no alto escalão do banco, onde se estranhava a rápida ascensão do escolhido. No BB desde 1978 como estagiário, Bendine se tornou funcionário em 1982, por concurso. Começou a ganhar visibilidade apenas em 2006, como assessor do então presidente, Rossano Maranhão. Em julho de 2007, foi nomeado vice-presidente de Varejo e Distribuição, saltando um degrau, pois a praxe na casa até então era a de que o cargo de vice fosse preenchido por diretores – e Bendine nunca ocupara uma diretoria. No mesmo ano de 2007, ele mudou de função, indo ocupar a vice-presidência de Cartões e Novos Negócios de Varejo, onde ficou até a promoção à presidência. Ao chegar aí, de saída, ele trocou seis dos nove vice-presidentes.
 
Um ano depois, o presidente do BB atrairia novamente os holofotes em outro enfrentamento político, este em torno da sucessão na Previ, o bilionário e poderoso fundo de pensão dos funcionários do banco, o maior do gênero da América Latina, com patrimônio superior a R$ 140 bilhões. O presidente da Previ, Sérgio Rosa, queria que seu diretor de participação, Joilson Ferreira, o sucedesse. Bendine defendia a indicação de um funcionário de carreira do BB para o cargo, para aproximar mais o fundo do banco, embora Rosa não tivesse problemas de relacionamento com nenhum dos quatro presidentes que passaram pela instituição durante os oito anos – dois mandatos de quatro anos cada um – em que comandou a Previ.
 
Bendine venceu a parada, com a escolha de Ricardo José da Costa Flores para o lugar de Rosa. Flores era vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB e levava como cacife de bom administrador o fato de ter sido o responsável pela decolagem do banco na oferta de crédito durante a crise internacional. A vitória política de Bendine é mais valorizada pelo fato de Rosa não ser um adversário fraco: tem grande ligação com o PT e sempre gozou de livre trânsito no Palácio do Planalto.
 
Ao final, Joilson Ferreira e outro diretor da Previ, Fábio Moser – este responsável pela área de investimentos –, deixaram o fundo, embora seus mandatos fossem até 2012, e foram remanejados para a Brasilcap, subsidiária do BB do ramo de capitalização. Sérgio Rosa, por sua vez, teria sido convidado para presidir outra subsidiária, a Brasilprev, dedicada à previdência privada.
 

 
 

 
Deslanche dos cartões
 
Outra arena onde o BB pretende combater, ainda com o foco mais voltado às pessoas físicas, é a área dos cartões de crédito, ampla e ainda com grandes espaços. Atualmente, cartões de débito e de crédito pagam 53,7% das compras feitas no Brasil; dez anos atrás a relação era de 17%. Segundo os especialistas, esse segmento de negócios começa a viver uma nova fase, iniciada com o fim da exclusividade no credenciamento – em vigor desde o dia 1º deste mês –, que concentrava os negócios em duas empresas, a Redecard e a Cielo (antiga VisaNet). O governo quer que surjam mais empresas, para estimular a concorrência no setor e, para isso, destacou a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, para acompanhar o mercado e evitar a prática de cartel.
 
O BB entrou com estilo no segmento, com a surpreendente associação com o Bradesco para relançamento do cartão de crédito Elo. Anteriormente, o banco se aproximara de concorrentes próximos – o mesmo Bradesco e o Santander – ao assinar, em fevereiro, memorando de entendimentos para compartilhar terminais de autoatendimento (as ATMs) instalados em locais públicos, fora das agências. Marca surgida em 1971 no País, o Elo era explorado por um pool com 23 bancos brasileiros associados ao cartão internacional BankAmericard. Para o novo empreendimento, valeu a experiência do presidente do BB, Aldemir Bendine. Antes de ser promovido ao atual cargo, ele ocupava no banco exatamente a vice-presidência de Cartões e Novos Negócios de Varejo. Nesta condição, presidiu a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que deixou em agosto do ano passado e na qual foi substituído por Paulo Rogério Caffarelli, seu sucessor no banco como vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo.
 
As metas dos controladores do Elo são ambiciosas e para curto prazo: eles imaginam conseguir 15% do mercado nacional nos próximos cinco anos – quando, segundo estimativas deles próprios, o País terá em torno de 800 milhões de cartões. Até abril, circulavam 586,6 milhões de unidades – somando cartões de débito, de crédito e de lojas –, pelos números da Abecs. Segundo a previsão de especialistas no setor, neste ano estarão em uso 600 milhões de cartões, que serão responsáveis por 7 bilhões de transações, com movimento de R$ 555 bilhões, o equivalente a um quarto de todos os pagamentos feitos no País. Dos cartões de crédito emitidos no Brasil, o Bradesco tem cerca de 35%; o BB, perto de 12%, movimentando respectivamente R$ 14,2 bilhões e R$ 8,9 bilhões, segundo os balanços de março deste ano.
 
A primeira resposta ao Elo veio curiosamente da área oficial. No final do mês passado, a presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Coelho, revelou ao jornal O Estado de S.Paulo que a instituição pretende comprar, até o fim deste ano, parte de uma empresa privada do setor. A parceria BB-Bradesco, segundo ela, “confirma a magnitude desse segmento”, isto é, mostra que ainda há espaços a ocupar. A intenção da CEF é criar uma bandeira nacional voltada exclusivamente à clientela de menos posses. Oferecendo custos mais baixos, os alvos dessa bandeira seriam as pessoas físicas de baixa renda e o pequeno comércio, nas periferias e pequenas cidades do interior do País ainda não atendidas.
 
Pode se esperar uma reação do Itaú Unibanco ao desafio. Quando apresentou os resultados do primeiro trimestre deste ano, Alfredo Setubal, diretor de relações com investidores foi cobrado a respeito. “Estamos analisando todas as possibilidades e como nos posicionaremos ao longo dos próximos meses, dos próximos trimestres, em relação aos anúncios dos nossos concorrentes e também em relação às mudanças regulatórias que o Banco Central tem anunciado e que provavelmente continuará anunciando ao longo dos próximos meses”, disse. Mas não deixou de lembrar que o Itaú Unibanco já tem uma arma para contra-atacar: “Já temos o Hipercard, 13 milhões de cartões e um market share de 7%, 8%”. O Hipercard foi criado em 1982, com o nome de Cartão Hiper, pela rede de supermercados Bompreço – hoje pertencente ao Walmart –, como cartão de compras, válido exclusivamente nas lojas do grupo; em 1991 mudou o nome para Hipercard e dois anos depois foi transformado em cartão de crédito. Em 2004 foi comprado pelo Unibanco.
 

 
 

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